sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Used Cars (1980)

 Do realizador da minha trilogia favorita, nem sei porque esperei tanto tempo para o ver, instant classic! Banda sonora extremamente catchy.
Fez-me refletir mais uma vez sobre a sobriedade e seriedade dos filmes e da arte portuguesa.
Talvez seja porque a nossa cultura ainda está em convalescença de tudo o que sofreu durante 48 anos de ditadura, já 51 se passaram e ainda nos vemos "forçados" a utilizar as oportunidades que temos de nos expressar como ferramenta educativa e de protesto.
Respondendo à questão colocada em Kilas (1980) por Rui Tadeu (Mário Viegas) "Porque é que as fitas portuguesas são sempre tão chatas?" e responde Ana (Paula Guedes) "Culpa do Teatro". Eu diria antes "Culpa da ditadura e da mentalidade de que o povo português é poucachinho".
Adorava que este tipo de cinema leve e divertido um dia possa vir a ter lugar em Portugal.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

DESSAGRO

Como ratazana que é,
matreiro se escondia Pereira.
Andava pelos cantos do restaurante,
bebendo cerveja e lambendo a cigarreira,
 
Fugia das limpezas, dos fiscais,
e a pagar as contas, achava um piadão.
Eu que nunca achei as suas ideias geniais,
acho que ele é um cabrão.
 
Foge, foge ó Pereira!
um dia há de te sair a sorte grande!
ás de acabar com o cu na cadeia! 
 
Évora,
17 de setembro 2025
 
Alexandre Gomes 

Há de..

É com o trabalho, honestidade,
a família, a amizade,
a facilidade, a humildade.

Todas elas qualidades!
como me ensinara Esteves,
aprenderás com a idade!

E aprendi, que afinal,
tudo não passava,
de maldade e desonestidade
naquela casa.

Évora,
17 de setembro 2025

Alexandre Gomes

terça-feira, 16 de setembro de 2025

Giuseppe Gioachino Belli - Alexandre O'Neill

     O falecido Ricardo Averini, director, durante alguns anos, do Instituto Italiano em Portugal, bem insistiu comigo quando eu lhe comuniquei o meu interesse por Belli, para que, de parceria, traduzíssemos e publicássemos uns 50 sonetos dos 2279 que Giuseppe Gioachino Belli produziu quase clandestinamente...
    Confesou-me que o poeta era um dos seus autores de cabeceira. Eu, que pouco antes descobrira esse extraordinário escritor, entusiasmei-me com o projecto, mas, como de costume, fiquei-me pelo entusiasmo. Vida cheia de afazeres, dificuldades que se anunciavam bastante grandes na tradução (saiba-se que Belli escreveu os seus sonetos em dialecto em dialecto romanesco, o linguajar do povo de Roma) levaram-me a ir adiando o trabalho. Cada vez que me encontrava, Averini perguntava-me «Então o nosso Belli?» Eu, encabulado, respondia-lhe: «Dentro em breve...» E, assim, «deixei» Averini morrer sem, ao menos, entabular com ele uma conversa mais a sério sobre esse nosso vago propósito.
    Mas a inquietação ficou.
    Comprei a edição integral de I Sonneti, uma biografia de Giuseppe Gioachino Belli e um «Vocabolario Romanesco Belliano & Italiano Romanesco», este graças á ajuda bibliófila e monetária do João Nuno Alçada, então residente em Roma.
E foi um pasmo que ainda hoje dura! 
    Não é que eu tenha lido o Belli todo e muitas vezes. Porém, dezenas de sonetos (marcados de origem, os mais significativos, com um asterisco, na edição em 4 volumes da Feltrinelli) deram-me a ideia da grandeza do poeta. Claro que é um autor que me vai a pêlo. A sua vida decorreu entre 1791 e 1864, «entre os anos da decadência e o ocaso do Estado Pontifício, entre a Revolução Francesa e o nascimento do nosso Estado unitário», como diz, no prefácio da edição feltrinelliana, Carlo Muscetta.
    Belli, na sua «biografia exterior», era um respeitoso, um conformista. Começou por publicar in lingua, isto é, em italiano, La Campagna (1805), «centenas de lugares-comuns da literatura idílica», continuou com as Lamentazioni (1807), reincidiu com La Morte della Morte (1810) e com o Convito di Baldassare (1812), para se dedicar, pouco depois, com alguma vivacidade, a traduções e adaptações teatrais. A sua existência, plena de vicissitudes que não vou aqui esmiuçar, encontra equilibrio e conforto quando Belli se casa com uma viúva, Maria Conti, treze anos mais velha que ele.
    De respeitoso, de conformista (o dia-a-dia pode pregar cada partida a um sujeito!), passa Belli, que começa a frequentar, quase sem dar por isso, as ideias e a literatura progressistas da Europa de então, a um engagement que o havia de levar muito longe, nada menos que aos sonetos.
    E os sonetos são o mais explosivo dos artefactos poéticos que podem conceber-se naquela época. Tudo é passado ao crivo nessa gigantesca soma poética. A corrupção do mundo papalício, a prostituição (a mundana e a pobretana), a avareza, a cupidez, a vaidade dos cortesãos, o quotidiano da plebe romana, as praticas eróticas de gente acima de qualquer suspeita, etc., etc. Belli acende o rastilho e não fica pedra sobre pedra.
     A introdução aos sonetos, do punho do próprio Belli, começa desta nobre maneira:
    «Eu deliberei deixar um monumento daquilo que hoje é a plebe de Roma. Nela existe, seguramente, um tipo de originalidade: e a sua língua, os seus conceitos, a índole, o costume, os usos, as práticas, as luzes, a crença, os preconceitos, as superstições, tudo o que, em suma, lhe diz respeito, mantém um cunho que, talvez por acaso, se distingue do perfil característico de qualquer outro povo. Nem Roma é tão grande que a sua plebe não faça parte de um grande todo, quer dizer, de uma cidade de sempre solene memória. Além disso, parece-me que a minha ideia não vai desacompanhada de novidade. Este designio tão cheio de cor, aconteça o que acontecer ao assunto, não encontra trabalho precedente que se lhe possa comparar.»
    Em 1982, o excelente fotógrafo Paulo Nozolino mandou imprimir um álbum com uma sequência das suas fotografias, álbum a que pôs o título de Para sempre. Sendo jovem e nada pessimista, que se lembrou Paulo de fazer? Pediu-me que eu lhe traduzi-se para o livrinho um dos mais amargos sonetos do Belli. Aqui fica a tradução, necessariamente imperfeita, que eu consegui levar a cabo, mesmo sem o concurso (precioso) do meu caro Ricardo Averini. 

 

A VIDA DO HOMEM
 
Nove meses no fedor, depois nas faixas
por entre crostas, beijocas, lagrimonas
Depois à trela, na andadeira, em camisinha,
pára-turras na testa, cueiros por calções.
 
Depois começa o tormento da escola,
o á-bê-cê, a vergasta e as frieiras,
a rubéola, a caca na cagadeira
e um pouco de escarlatina e de bexigas.
 
Depois o ofício, o jejum, a trabalheira,
a pensão a pagar, as prisões, o governo,
o hospital, as dívidas, a crica,
 
  o sol no verão, a neve no inverno...
E por último -- e que Deus nos abençoe! --
vem a morte, e acaba no inferno.

 
        Roma, 18-01-1833
        Giuseppe Gioachino Belli 

Repreensão - Mário Henrique-Leiria

 Depois de fuzilado
ao levar
o tiro na nuca para acabar
chateou-se
e viu-se obrigado
a explicar
ao major
que comandava o pelotão
que o tinha fuzilado
por favor
preste atenção
e não me obrigue a repetir
a repreensão
na próxima vez
que mandar matar
dê tempo ao morto
pra gritar
convicto
um último viva a revolução 

sábado, 13 de setembro de 2025

OLHA O PASSAROCO! - Alexandre O'Neill

    Tenho a impressão que os fotógrafos que conheço pessoalmente (os «de arte», bem entendido) andam todos à procura de uma razão, melhor, de uma «filosofia» que lhes explique o porquê de fotografarem assim ou assado e lhes forneça um guia para a acção (a de fotografar, claro). Vive-mos em tempo de exegetas. Explicar a criação (o criado) tornou-se tão importante (ou mais) do que a própria criação.
Nunca o aparato crítico-exegético se viu tão apetrechado e com gente tão dotada como hoje. Diríamos, até, que, nos mais felizes casos, a exegese é, só por si, uma verdadeira obra de arte. Talvez por isso eu venha, de há anos a esta parte, «rodeando» Joyce nas admiráveis exegeses que lhe têm sido dedicadas, sem coragem para meter o dente a fundo na obra propriamente dita. Ao mesmo tempo, detém-nos um certo medo de, não conhecendo a coisa criada, mas só a exegese dela, acabarmos, um dia, travando conhecimento com a criação original, por rejeitar esta ou rechaçar a critica recriação que dela conhecíamos, ou até as duas.
    Tudo isto está a anunciar, como é evidente, que a criação e a crítica exegética vão, num futuro próximo, confundir-se para darem lugar a uma nova arte --- que trará consigo a sua própria exegese, isto é, o fazer e o reflectir sobre o efeito contidos no acto mesmo de criar. Disso nos dá uma amostra, já hoje, muita da melhor poesia concreta. Esperemos que, então sendo criador e exegeta uma só e a mesma pessoa, não surjam novos exegetas na periferia.
    Volto aos meus bons amigos fotógrafos para os compreender nas suas preocupações e os prevenir nas suas ambições. Descobrir a fórmula que nos permita -- a nós criadores -- repetir os milagres é uma tentação bem humana. Mas não esqueçamos, clique!, bons amigos, que a arte é desregra permanente. Uma fórmula na mão só nos garante que seremos capazes de nos repetir ad infinitum para os basbaques, a começar pelo basbaque que há em nós. Uma fórmula não abre caminhos; fecha caminhos. Deixem que cada um dos vossos momentos felizes não se repita mais.
    À parte isso, filosofem como quiserem e descubram, a cada milagre, que não sabem nada, e que o melhor ainda é repartir sempre do zero.
    Cautela, amigos, com o olho mobilado pelo lugar comum. 

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Pois - Alexandre O'Neill

O respeitoso membro de azevedo e silva
nunca perpenetrou nas intenções de elisa
que eram as melhores. Assim tudo ficou
em balbúrdias de língua cabriolas de mão.
 
Assim tudo ficou até que não.
 
Azevedo e silva ao volante do mini
vê a elisa a ultrapassá-lo alguns anos depois
e pensa pensa com os seus travões
Ah cabra eram tão puras as minhas intenções.
 
E a elisa passa rindo dentadura aos clarões. 

Pois Pois - Alexandre O'Neill

Sobre o tampo da mesa
Rabo de Cavalo cotovelo-groselha
defronta Patilhas Grisalhas cerveja-cotovelo.
 
Falam de dominguins versus ordoñez
de hemingways na brecha da querela
do assasino mano a mano.
 
Falam a ouro e a sangue no ruedo de mármore.
 
Sob o tampo da mesa
três joelhos conversam roçagantes:
o dele (sarja) entre os dela (nylon).
 
Rabo de Cavalo está quadrada.
Patilhas Grisalhas então entra a matar.
 
O sobre e o sob logo se confundem.
Que prometia (olé) o cartaz dele?

Solteirice - Alexandre O'Neill

Espeta-te com o garfo.
Corta-te com a faca.
Deita-te no prato.
Espera. 

Cinegética - Mário Henrique-Leiria

Um caçador
perdeu a cedilha
e por isso
sua mulher
nunca mais
quis ir á caça
com ele
sem cedilha 

Surpresas da Pesca - Mário Henrique-Leiria

    Não tinha dado em nada.
    Preparava-me para voltar para casa, mas resolvi atirar a linha uma última vez.
Senti um esticão bem forte. Segurei firme e comecei a enrolar o carreto com cuidado, devagar. E não é que vejo vir um nazi no anzol! Um nazi bem bom, dos grandes! fiquei admiradissímo, tinham-me dito que já não havia. Tratei de o tirar com o auxílio do camaroeiro e fui verificar imediatamente. Era mesmo. General e SS, calculem! Com boné, medalhas, suástica e tudo. Vá lá uma pessoa acreditar no que lhe dizem! Meti-o logo numa lata, enquanto estava fresco, e despachei-o para a Peixaria Nacional. Lá devem saber o que fazer com ele. A mim, francamente, não me serve para nada. 
 
in, Contos do Gin Tonic,
Mário Henrique-Leiria 

domingo, 20 de julho de 2025

O Bicho - Manuel Bandeira

O BICHO

Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.

 

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.

 

O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.

 

O bicho, meu Deus, era um homem. 

 

Manuel Bandeira

Rio, 25-2-47  

sexta-feira, 11 de julho de 2025

Retroespectiva...

Venho quebrar este silêncio que me afoga à quase seis meses e que não me têm permitido pensar nem escrever.

Estes últimos tempos sinto que tenho vivido... talvez até seja irónico mas sinto-me numa centrifugação constante. A modos que não me têm sido possível parar um pouco para pensar nem para escrever ou ler e me cultivar como deve de ser, assim como numa espiral me encontro nesta armadilha de redes sociais e de vídeos INTERESSANTÍSSIMOS, mas que ao fim ao cabo não me acrescentam em nada de sabedoria permanente.

Escrevo hoje  porque me encontro numa encruzilhada, e me deparo com ela pela milésima vez este mês. Clarificando: São 4 da manhã, eu tenho de apanhar um comboio ás 09h para ter um exame de código da estrada ás 11h. O quê faço?? Adormeço habilitando-me a ficar a dormir até ao meio-dia? ou fico acordado a beber cafés, tomo banho e vou direto para o exame? Qual das opções é que me prejudica menos? 

E ao debruçar-me sobre esta questão já lá vai mais uma horita ou duas.

Aí está a encruzilhada em que me encontro meus amigos. 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Encontrei o Foguete!

Encontrei a Locomotiva CP 1204 utilizada na gravação do genérico da série da RTP O Foguete,
após ter sido descomissionada ficou alguns anos parada na estação de Santarém e depois em 2009 vendida á empresa Ferrovias e ainda circula em Portugal. Do total de 25 Locomotivas desta série 1200 da CP, também apelidadas de Maquina de Costura, 8 foram vendidas e exportadas para a Argentina e 8 foram vendidas ao privado e ainda circulam em Portugal.

CP 1204 (Genérico de "O Foguete")

CP 1204 (Parqueada na Estação de Santarém)


MVLM 04 (ex CP 1204) 
da operadora Ferrovias.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

dejejum - Mário Henrique-Leiria

dejejum


Entrei na tabacaria
e sentei-me.
Perguntaram-me o que queria.
Povos com resunto
respondi.
Povos com resunto?
Sim        povos com resunto
porque não?
Trouxeram-me 
povos com resunto
que eu não dispenso
os meus povos com resunto
todas as manhãs.


Mário Henrique-Leiria

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

RetroBar

 No passado dia 3 de Novembro ao voltar da Residência Artistica do projeto Juventude Sónica dinamizado pelo Núcleo Las Vegas com quem estou muito entusiasmado para trabalhar com, encontrei um monitor CRT da SamTron modelo 75E no lixo á porta do meu prédio e desde então tenho feito bastantes altereações estéticas ao meu Windows 10 para que corresponda com o retro feel do monitor e ontem descobri esta aplicação no forum Win Classic.net e agora que já passou algum tempo e que já pude fazer alguns testes de compatibilidade com a minha utilização do OS devo dizer que estou mais do que surpreendido com o tema Windows XP Blue que me traz uma nostalgia imensa no que se trata de tecnologia e informática, há algo nesta taskbar azul e no botão iniciar cor de ervilha que desperta dentro de mim um bichino feliz!


Aqui fica um screenshot do meu desktop do Windows 10 personalizado para retrocompatibilidade com o monitor SamTron 75E.

Link para Download de Major Geeks: RetroBar

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

O Inominado - Alexandre O'Neill

O Inominado

se eu não fizer

assim (como hei-de

dizer?) amor

sim amor contigo

muitas (meudeus!) vezes

com preguicinhas boas

tolices ao ouvido

revoadas de beijos

repentes dentes

olhares pestanejados com carinho

‘                         oh

nem terei nome

serei «o coiso» «esse aí» o «como

é que ele se chama?»

o que dorme singelo

o que ninguém (ai ai) ama.


Alexandre O'Neill

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

RTP Arquivo - Colecção de Fotografia Portuguesa

Colecção de Fotografia Portuguesa


Uma colecção RTP Arquivo muito interessante e com uma curadoria e sensibilidade incrivéis,
não me espanta claro porque já desde 1956 que a RTP é um simbolo de 
profissionalismo e qualidade em Portugal.
Recomendo a todos os que sejam amantes de fotografia/vídeo 
e documentação histórica.


Deixo abaixo o link afixado para quem tiver o interesse de explorar um pouco mais sobre:




segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Microsoft Network | MSN

O Saudoso MSN está de volta com um novo host o Escargot.Chat.


Escargot é um serviço de reposição para o agora já discontinuado MSN Messenger e os serviços Windows Live Messenger, com a adição de algumas outras utilidades divertidas do Windows Live. 

Links:

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Gaivota - Alexandre O'Neill

Gaivota 

Se uma gaivota viesse

Trazer-me o céu de Lisboa

No desenho que fizesse


Nesse céu onde o olhar

É uma asa que não voa

Esmorece e cai no mar


Que perfeito coração

No meu peito bateria

Meu amor na tua mão

Nessa mão onde cabia

Perfeito o meu coração


Se um português marinheiro

Dos sete mares andarilho

Fosse quem sabe o primeiro


A contar-me o que inventasse

Se um olhar de novo brilho

Ao meu olhar se enlaçasse


Que perfeito coração

No meu peito bateria

Meu amor na tua mão

Nessa mão onde cabia

Perfeito o meu coração


Se ao dizer adeus à vida

As aves todas do céu

Me dessem na despedida


O teu olhar derradeiro

Esse olhar que era só teu

Amor que foste o primeiro


Que perfeito coração

Morreria no meu peito

Meu amor na tua mão

Nessa mão onde perfeito

Bateu o meu coração


Meu amor

Na tua mão

Nessa mão onde perfeito

Bateu o meu coração


Alexandre O'Neill

Interpretação Músicada de Amália Rodrigues.


https://www.youtube.com/watch?v=4DH4FIGQzK0&ab